Encontros para introvertidos: escolhe um ambiente tranquilo

Se preferes ambientes tranquilos, podes propor um encontro num local público onde consigas conversar à tua maneira. Explica de que precisas para te sentires à vontade, combina um programa que te apeteça e deixa espaço para pausas, sem pedires desculpa por essa preferência.
Tens vontade de conhecer a pessoa, mas o convite é para um sítio com música e muita conversa à volta. Imaginas-te a tentar ouvir cada frase, a falar mais alto do que te agrada e a aceitar prolongar o programa quando já preferias terminar. A dúvida não está necessariamente em querer o encontro; está no ambiente proposto.
Podes separar essas duas coisas antes de responder. Mostrar interesse pela pessoa e sugerir outro local podem fazer parte da mesma mensagem. A proposta também lhe permite dizer o que prefere, para que o plano resulte de uma escolha dos dois.
Diz em que ambiente conversas melhor
Paulo e Isabel são dois adultos fictícios em Braga. Ela sugere um espaço com música ao vivo para se conhecerem. Paulo descreve-se como uma pessoa mais reservada e sabe, pela sua experiência, que tem mais vontade de conversar quando não precisa de competir com o som à volta.
Ele pode responder: «Gostava de te conhecer. Para conversar, prefiro um sítio mais tranquilo. Que te parece tomarmos um café?» A frase explica a preferência sem dizer que a ideia de Isabel era má. Também não lhe atribui uma maneira de ser só porque sugeriu aquele lugar.
Procura o pormenor que faz diferença para ti. É o volume da música? A proximidade das outras mesas? A ideia de um programa com muitas mudanças? Nomear uma coisa concreta pode ser mais útil do que dizer apenas que não gostas de sair.
Se te descreves como uma pessoa introvertida, podes acrescentar o que isso significa neste caso. Não é preciso esperar que a pessoa deduza as tuas preferências a partir dessa descrição. «Gosto de conhecer alguém num ambiente em que possa ouvir e responder sem pressa» fala do encontro que desejas, sem definir todas as situações da tua vida.
Isabel pode gostar de uma alternativa mais calma ou preferir manter a música. O facto de explicares bem a tua preferência não obriga a que ela seja partilhada. Podes ouvir a resposta antes de decidires se existe um plano que ambos queiram aceitar.
Propõe um lugar tranquilo que continue a ser público
Um lugar tranquilo não precisa de ser isolado nem privado. Podes pensar num café com um recanto onde seja possível conversar, numa esplanada com algum espaço entre mesas ou noutro local público que conheças e que te agrade para esse encontro.
Escolhe a proposta pelo que sabes dela, sem prometer que o ambiente estará sempre igual. Um café onde estiveste com pouco movimento pode estar mais cheio quando voltas. Convém que o plano permita dizer «Hoje este sítio está diferente do que eu esperava» sem tratar essa observação como uma falha tua.
Paulo pode sugerir um café que conhece e perguntar se o local também convém a Isabel. Se chegarem e a música estiver alta, pode propor outra mesa ou perguntar se ela quer considerar outro sítio público. A decisão continua a ser dos dois; ele não precisa de permanecer num ambiente que já sabe que não lhe agrada apenas por ter feito a sugestão inicial.
Pensa igualmente na chegada e na saída. A escolha de um local público faz parte dos cuidados no primeiro encontro. Procurar um ambiente mais calmo não exige aceitar uma casa particular nem depender da outra pessoa para terminar o programa.
Escolhe um encontro que não te esgote à partida
Talvez te apeteça um café e não uma sequência de café, passeio, jantar e mais um convite improvisado. Podes propor apenas o programa que queres fazer. O encontro não precisa de crescer para mostrar que houve interesse.
Paulo pode dizer antes: «Gostava de tomar um café contigo, sem combinarmos mais coisas para depois.» Se Isabel estiver a pensar num programa longo, fica a conhecer essa diferença antes de chegar. Nenhum dos dois precisa de descobrir a meio que estava a contar com uma ocasião bastante diferente.
Também podes escolher como queres começar. Chegar a um lugar que reconheces pode agradar-te mais do que ter de procurar a entrada de um espaço novo enquanto tentas encontrar a pessoa. Isso é uma preferência prática; não precisas de a transformar numa condição para todos os encontros futuros.
Se a preocupação principal for o que vais sentir antes de conhecer alguém, o tema dos nervos antes do primeiro encontro tem outra função. Aqui, escolhe uma alteração no programa ou no ambiente que consigas explicar. Uma apresentação de ti como pessoa reservada não precisa de carregar todas essas questões ao mesmo tempo.
Se, durante o café, tiveres vontade de aceitar outro programa, podes considerar a ideia. Também podes manter o fim que preferes. «Gostei de estar aqui contigo. Por hoje, vou terminar por aqui» diz o que queres fazer sem exigir uma longa explicação sobre a tua energia.
Não confundas uma pausa com falta de interesse
Num ambiente mais tranquilo, podes dar por ti a fazer uma pausa antes de responder. Não precisas de concluir que isso tornou o encontro desagradável. Também não sabes o que a outra pessoa pensa apenas porque ficou em silêncio depois de uma história.
Imagina que Isabel acaba de contar que gosta de voltar a um jardim para reparar nas mudanças. Paulo fica a pensar num banco que viu ao sol durante a chegada. Pode partilhar essa observação quando tiver vontade, sem procurar uma pergunta que preencha imediatamente a pausa.
Se sentires necessidade de esclarecer o teu ritmo, uma frase simples pode chegar: «Estou a ouvir-te. Gosto de pensar um pouco antes de responder.» Não promete uma conversa sempre fluida nem pede à pessoa que deixe de ter o seu próprio ritmo. Explica o que se está a passar contigo naquele momento.
Para desenvolver a troca de histórias e perguntas, a leitura sobre conversa no primeiro encontro trata desse tema. O ambiente que escolheste dá-te uma possibilidade de participar; não te torna responsável por manter a conversa sempre animada.
Explica a tua preferência sem te desculpares por ela
Há uma diferença entre reconhecer o trabalho de alterar um plano e pedir desculpa pela tua maneira de gostar de estar com alguém. Podes agradecer uma sugestão ou uma mudança sem apresentar a preferência por um lugar calmo como um defeito que a pessoa está a tolerar.
«Obrigado por pensares noutro sítio. Neste ambiente consigo conversar melhor» permite a Paulo reconhecer a escolha de Isabel. Já «Desculpa, comigo é tudo um problema» troca a preferência sobre o sítio por uma crítica que ele faz a si próprio. Ele pode explicar o que funciona para si sem pedir uma avaliação do seu valor como companhia.
Ao mesmo tempo, não precisas de defender a tua preferência como se fosse a única maneira de conhecer alguém. Isabel pode gostar de música e não querer sempre cafés tranquilos. Podem descobrir se existe uma ocasião que agrade aos dois sem decidirem quem tem a forma certa de sair.
Se uma sugestão não te agrada, a conversa sobre expectativas e limites ajuda a dizê-lo. Mantém o pedido concreto: preferes outro ambiente para este encontro. Não tens de prometer que aceitarás um lugar barulhento depois para compensar a alteração de agora.
Depois do encontro, repara no que te fez bem
Ao pensar no café, distingue o ambiente da vontade de conhecer a pessoa. Talvez tenha sido mais fácil ouvir e ainda assim não tenhas vontade de um novo encontro. Talvez o local tenha estado mais cheio do que esperavas, mas tenhas gostado de como conseguiram escolher outra mesa.
Paulo pode lembrar-se de que a mesa afastada da música lhe permitiu acompanhar Isabel sem pedir repetidamente que ela falasse mais alto. Pode também perceber que gostou de terminar depois do café, sem acrescentar outro programa. São pormenores que pode levar para uma nova proposta, se a quiser fazer.
Não é necessário concluir que encontraste uma fórmula para todos os encontros. Noutro dia, podes desejar algo diferente. Repara no que te agradou nesta experiência e no que gostarias de alterar, sem transformar cada pausa numa nota sobre o teu desempenho.
Se houver vontade de um segundo encontro, podes propor um ambiente com essas características e perguntar pela preferência da pessoa. Não tens de repetir exatamente o mesmo café para preservar aquilo de que gostaste.
Escolhe o teu plano com as orientações de segurança. Depois, apresenta o encontro que te apetece: um lugar público, uma forma de estar em que te sentes à vontade e espaço para ambos dizerem se querem participar.
Perguntas frequentes
Posso sugerir um encontro mais tranquilo?
Podes explicar que tens vontade de conhecer a pessoa e preferes um local público mais calmo. Propõe uma alternativa que te agrade e pergunta se também lhe convém, sem presumires que a preferência será partilhada.
Como digo que não gosto de lugares muito barulhentos?
Diz o que faz diferença para ti, como conseguir ouvir sem competir com a música. Uma frase como «Gostava de conversar contigo num sítio mais tranquilo» permite apresentar a preferência sem desvalorizar o convite.
Ser uma pessoa mais reservada passa uma ideia de desinteresse?
Essa descrição não diz, por si só, o que sentes pela pessoa. Podes expressar o teu interesse e explicar como gostas de conversar, sem depender de que ela adivinhe o significado do teu ritmo.
Tenho de manter a conversa sempre animada?
Podes deixar uma pausa existir, ouvir e partilhar algo quando tiveres vontade. Não te cabe preencher todos os momentos, e um silêncio isolado não explica a experiência dos dois durante o encontro inteiro.
Como proponho terminar o encontro quando a minha energia começa a baixar?
Podes agradecer uma parte concreta do encontro e dizer que queres terminar por ali. Não precisas de aceitar mais um programa nem prometer outro encontro para justificar que preferes sair.
Redação Sugarfar
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