Segundo encontro: uma proposta a partir da primeira conversa

Para propor um segundo encontro, parte de algo que te deu vontade de continuar a conhecer a pessoa e faz um convite concreto que ela possa aceitar ou alterar. Não precisas de aumentar a duração, a despesa ou a intimidade para mostrar interesse.
O primeiro café correu bem. Ambos disseram que gostaram de conversar e tu ficaste com vontade de voltar a ver a pessoa. Ao escreveres a nova mensagem, porém, um simples convite começa a parecer pouco. Pensas num programa mais demorado e acrescentas outra paragem, embora ainda nem saibas se a ideia inicial lhe agrada. Podes voltar ao que te despertou curiosidade no encontro e encontrar aí uma proposta que não precise de crescer para fazer sentido.
Recorda o que te deu vontade de um segundo encontro
Imagina a Leonor e o Artur, duas pessoas adultas que se conheceram num café em Faro. Durante a conversa, ele contou que gosta de observar o desenho das varandas quando passeia. A Leonor nunca tinha prestado muita atenção a esse pormenor, mas gostou de ouvi-lo descrever os pormenores em que costuma reparar. Ao despedirem-se, ambos disseram que tinham passado um momento agradável.
A Leonor quer voltar a vê-lo por uma razão concreta: ficou com curiosidade sobre aquela maneira de olhar para a rua e sobre outras coisas de que ele gosta. Não precisa de transformar essa vontade numa certeza sobre a relação que poderão ter. Também não precisa de encontrar um programa impressionante para justificar que lhe apetece continuar.
Procura a tua própria lembrança. Pode ser a forma como a pessoa contou uma história, uma pergunta que te apeteceu desenvolver ou o gosto de conversarem sem teres de apressar as respostas. Essa lembrança dá um ponto de partida ao convite; não prova que a outra pessoa sente exatamente o mesmo.
O artigo sobre conversa no primeiro encontro ajuda a acompanhar esses pormenores enquanto surgem. Agora, escolhe algo que tenha acontecido entre ti e a outra pessoa. Não acrescentes um interesse à pessoa só porque ele permitiria propor o programa que tu já tinhas em mente.
Transforma uma conversa numa nova proposta
No exemplo da Leonor, um passeio público pode dar continuidade ao assunto das varandas. Ela pode propor conhecerem uma zona central que ambos aceitem, sem apresentar um percurso fechado ou assumir que o passeio se prolongará por todo o tempo livre do Artur.
«Fiquei com curiosidade sobre os pormenores das ruas que costumas observar. Apetece-te darmos um passeio por uma zona central que dê jeito aos dois?»
A ideia nasce da conversa, mas continua a ser uma pergunta. O Artur pode gostar de observar varandas sozinho e preferir outro café para o encontro. Ou pode querer passear e sugerir uma zona diferente. Nenhuma dessas respostas apaga aquilo que contou na primeira vez.
Numa conversa diferente, o assunto por continuar poderia ser um filme. Imagina que a pessoa explicou por que gostou do final e tu disseste que o tinhas entendido de outra maneira. O encontro terminou antes de conseguires explicar o pormenor que te levou a essa leitura. Um convite possível seria:
«Fiquei com vontade de continuar a conversa sobre aquele final. Queres combinar outro café? Ainda gostava de te contar o que me fez entendê-lo de maneira diferente.»
Aqui, o motivo para se verem é retomar uma troca que te agradou. Não precisas de propor logo uma ida ao cinema, onde passariam parte do encontro sem conversar, apenas porque falaram de um filme. A atividade pode continuar simples e deixar espaço ao assunto.
Num terceiro caso, a pessoa contou que gosta de desenhar objetos enquanto espera num café e mostrou-te o seu caderno. Tu gostaste de ouvir como escolhe um pormenor para começar. Podes querer voltar a vê-la numa esplanada, com outra luz e ambiente:
«Gostei de te ouvir falar dos teus desenhos. Apetecia-me encontrar-te outra vez, talvez numa esplanada. Que te parece?»
A referência aos desenhos explica uma curiosidade tua; não lhe pede que desenhe para ti nem que leve uma atividade preparada. A pessoa pode querer deixar o caderno em casa e contar-te outra coisa. Em qualquer destes convites, o assunto abre uma possibilidade de encontro sem se tornar uma tarefa que alguém tem de cumprir.
Muda uma coisa sem aumentar todas as expectativas
Se gostaste de conversar no café anterior, podes propor o mesmo tipo de programa noutro lugar. Se ficaram com vontade de caminhar, podem trocar a mesa por um passeio público. A mudança pode ter uma razão identificável, sem trazer consigo um programa inteiro que ainda ninguém escolheu.
A Leonor pode gostar da ideia do passeio e começar a acrescentar um almoço, uma visita a outro sítio e um prolongamento pela tarde. Antes de enviar tudo, pode perguntar o que deseja propor primeiro. O passeio já permite voltar a conversar. As outras atividades não precisam de entrar no convite para mostrar que existe interesse.
O mesmo vale para a despesa. Um programa mais caro não demonstra, por si só, que ouviste melhor a pessoa ou que tens mais vontade de estar com ela. Se a proposta envolve algo que merece ser combinado sobre pagamentos, esclarece-o antes de reservar. A conversa sobre despesas de um encontro desenvolve esse ponto sem presumir que o convite decide quem assume tudo.
Também não há uma intimidade que o segundo encontro tenha de alcançar. Terem gostado do primeiro não equivale a aceitar contacto físico, um lugar privado ou qualquer continuação específica. Cada proposta precisa de fazer sentido agora. Podes querer um novo café público mesmo que a despedida anterior tenha sido calorosa.
Dá à outra pessoa uma escolha concreta
Um convite pode ter direção sem vir inteiramente decidido. «Queria voltar a ver-te, talvez para aquele passeio» mostra uma intenção e um programa. A seguir, podes perguntar por uma zona ou por um dia que funcione para ambos. Não precisas de apresentar todas as alternativas antes de saber se a pessoa gosta da ideia.
Na conversa da Leonor com o Artur, a resposta pode ser:
Artur: «Gostava de voltar a ver-te, mas apetecia-me mais um café do que um passeio.»
Leonor: «Também me apetece um café. Tens alguma zona que te dê jeito?»
Ela só precisa de aceitar a alternativa se também lhe agradar. Pode estar com vontade de passear e preferir procurar outra ocasião. Dar uma escolha ao Artur não significa abandonar as próprias preferências, tal como a proposta inicial não o obriga a gostar do passeio.
Se o horário disponível ainda não está claro, não transformes a conversa numa reserva implícita. A leitura sobre encontros com a agenda cheia trata de distinguir tempo possível de tempo realmente reservado. Neste convite, basta dizer o que está confirmado e aquilo que falta escolher em conjunto.
Uma mensagem cheia de «qualquer coisa», «onde quiseres» e «quando te apetecer» pode dificultar a resposta. A pessoa tem de inventar o programa inteiro para conseguir aceitar. Podes facilitar a escolha apresentando uma ideia tua e deixando claro que há espaço para outra.
Confirma o interesse antes de fechares o plano
«Também gostei muito» responde ao que aconteceu no primeiro encontro. Não confirma necessariamente o passeio, o novo café ou um dia para se verem. Se a pessoa recebe bem a lembrança mas não responde ao convite, podes fazer uma pergunta simples sobre a proposta que continua em aberto.
«Também me soube bem. Apetece-te combinarmos esse café outra vez?»
Se a resposta continuar sem indicar vontade de combinar, deixa o plano por fechar. Não reserves um programa para tornar mais fácil um sim que ainda não recebeste. Também não precisas de interpretar a falta de confirmação como uma explicação completa sobre o que a pessoa sente.
A reflexão sobre interesse mútuo nos encontros tem espaço para observar como ambos participam na aproximação. Aqui, a pergunta prática é se existe uma proposta que os dois querem concretizar. Uma mensagem simpática e uma confirmação podem ser coisas diferentes.
Quando a resposta for clara, passem aos detalhes necessários. No caso do passeio, podem definir uma zona e um ponto de encontro público. No caso do café, podem escolher o lugar e o momento. Confirmar isso não acrescenta compromissos sobre o que farão depois nem sobre a continuidade da relação.
Depois do segundo encontro, volta ao que realmente sentiste
O novo encontro pode dar continuação à curiosidade inicial e trazer outras impressões. Talvez o Artur fale pouco das varandas e conte uma história de que a Leonor gosta ainda mais. Talvez o passeio lhe agrade, mas ela perceba que não tem vontade de voltar a vê-lo. A escolha do programa não obriga a que o resultado corresponda ao que imaginou antes.
Repara no que te apeteceu durante o encontro: fazer perguntas, contar uma experiência tua, ficar mais um pouco ou terminar o programa combinado. Não precisas de avaliar o sucesso pela quantidade de atividades que conseguiram juntar. Um café simples pode dar informação suficiente para a tua próxima decisão.
Se quiseres continuar, podes dizer o que te agradou sem prometer uma evolução que ainda não escolheste. O texto sobre expectativas e limites ajuda a tornar essa conversa concreta quando cada um imagina um caminho diferente.
Vê como o Sugarfar se apresenta. Depois, se tens vontade de fazer o convite, escreve a lembrança que te levou a querer encontrar a pessoa outra vez e acrescenta uma proposta que te agrade. Deixa espaço na mensagem para ouvires o que ela quer fazer contigo.
Perguntas frequentes
Como convido a pessoa para um segundo encontro?
Podes partir de algo de que gostaste na primeira conversa e propor um programa que dê espaço a essa curiosidade. Um café ou um passeio público podem ser possibilidades, se te agradarem. Pergunta se a pessoa quer aceitar ou sugerir uma alternativa antes de fechares os detalhes.
O segundo encontro tem de ser mais romântico?
Não existe uma obrigação de aumentar a intimidade, a duração ou a despesa. Podes querer voltar a conhecer a pessoa num programa semelhante ao primeiro. O interesse que sentiste não decide por ambos se haverá contacto físico ou qualquer continuação específica.
Devo propor algo de que falámos na primeira vez?
Pode ser um bom ponto de partida quando corresponde a uma curiosidade tua e ao que a pessoa realmente contou. Falar de um interesse não significa que ela queira transformá-lo na atividade do encontro. Apresenta a ideia como convite e ouve o que lhe apetece fazer.
E se a pessoa disser que gostou mas não escolher um dia?
Podes perguntar se lhe apetece concretizar a nova proposta. Se continuar sem haver confirmação, deixa o plano por marcar, em vez de reservar algo para tentar obter um sim. Uma resposta simpática sobre o primeiro encontro não resolve, por si só, a escolha do seguinte.
Posso voltar a sugerir um lugar público e simples?
Podes propor outro café ou um passeio numa zona pública que ambos aceitem. Não precisas de escolher um lugar privado para mostrar que o encontro anterior correu bem. Confirmem o plano atual sem tratar a escolha do local como uma promessa sobre o que acontecerá depois.
Redação Sugarfar
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