Encontros com a agenda cheia: faz uma proposta concreta

Para combinares um encontro com a agenda cheia, parte do tempo que consegues realmente dedicar-lhe e faz uma proposta que a outra pessoa possa aceitar ou recusar. Inclui a deslocação, explica os limites do plano e avisa se o que confirmaste deixar de ser possível.
Já disseste «Temos de combinar um café» e continuas com vontade de o fazer. O problema aparece quando tentas transformar a ideia num encontro: a tarde que parecia livre já tem um compromisso, o local sugerido exige uma deslocação que esqueceste e acabas por voltar a um «um dia destes».
Antes de enviares outro convite, olha para o que podes propor sem depender de a outra pessoa preencher todos os espaços que ainda faltam. Um encontro pode ser simples e ter um fim previsto. Precisa de caber na tua vida de uma maneira que também dê à outra pessoa uma escolha real.
Olha para a disponibilidade que realmente tens
Leonor e Artur são dois adultos fictícios que se estão a conhecer no Porto. Ela gostaria de voltar a vê-lo, mas tem sugerido tardes em que já conta fazer outras coisas. Quando Artur aceita uma possibilidade, Leonor descobre que precisa de a alterar. O convite nasce da vontade de o ver; o plano ainda não passou pela agenda.
Leonor pode começar por distinguir o que já está ocupado do que consegue escolher. Talvez queira manter um almoço e tenha espaço para um café depois. Talvez a tarde pareça livre no papel, mas a sucessão de deslocações a deixe sem vontade de acrescentar mais um programa. As duas coisas merecem entrar na proposta.
Não é necessário mostrar a tua agenda nem justificar cada compromisso. Basta saberes o que podes oferecer. «Nesse dia consigo tomar um café à tarde, mas não fico para jantar» diz algo útil sobre o encontro. Uma lista completa das razões pelas quais tens pouco tempo não dá, por si só, uma ocasião em que possam ver-se.
Considera também os compromissos que preferes preservar mesmo que não estejam marcados com outra pessoa. Querer uma tarde sem planos pode ser uma escolha tua. Não precisas de a preencher só porque há um espaço em branco, nem de prometer disponibilidade que já sabes que te vai custar manter.
Se a organização depende de responsabilidades familiares, a leitura sobre encontros quando tens filhos trata dessa situação própria. Para este convite, escolhe a parte da tua disponibilidade que consegues apresentar sem expor a rotina de outras pessoas.
Troca o convite vago por uma proposta concreta
Compara três convites pelo que permitem decidir a quem os recebe. «Temos de ir tomar café um dia destes» exprime uma vontade, mas não pede uma escolha sobre um plano. Pode ser uma maneira agradável de mostrar interesse; continua a faltar a parte prática.
«Esta semana devo conseguir, diz quando te dá jeito» parece mais concreto, mas passa a procura para a outra pessoa. Se Leonor já sabe que só tem uma tarde disponível, Artur pode sugerir vários momentos antes de descobrir a limitação que ela ainda não disse. A pergunta sobre a agenda dele não resolve o que ela já podia ter esclarecido.
Uma proposta diferente seria: «No sábado à tarde consigo tomar um café perto do jardim. Depois tenho outro compromisso. Esse plano agrada-te?» Artur pode dizer se quer aquele programa, perguntar pelo local e combinar os pormenores que faltam. Também pode preferir uma ocasião em que não tenham de terminar por causa de outro plano.
Não precisas de decidir tudo antes de perguntar. Podes apresentar o que sabes e deixar uma escolha em aberto: «Tenho essa tarde livre. Preferes uma esplanada ou um café no interior?» O importante é não chamar disponibilidade a uma parte da semana que, na prática, não podes oferecer.
Quando a resposta chegar, confirma o que ambos aceitaram. Se a pessoa propuser uma alteração, considera-a antes de a tratares como combinada. Uma sugestão tua e uma sugestão dela ainda precisam de encontrar um plano que agrade aos dois.
Inclui a deslocação no teu plano
O tempo do encontro começa antes de te sentares à mesa e continua depois da despedida. Pensa em como vais chegar, no que tens antes e na forma como queres sair. Uma pausa entre compromissos pode parecer suficiente até acrescentares o caminho para um local que não fica perto de nenhum deles.
Leonor tinha imaginado o café junto do sítio onde almoçaria. Artur prefere encontrar-se noutro ponto da cidade. Ela pode olhar para essa proposta e perceber que a deslocação já não cabe na tarde que ofereceu. «Consigo aquele café perto do jardim; para ir a esse local, prefiro procurarmos outra ocasião» mantém a diferença visível.
Também dá espaço ao percurso da outra pessoa. Um encontro breve que te convém pode exigir-lhe uma viagem que não quer fazer. Não lhe cabe aceitar só porque encontraste um momento livre. Podes perguntar se o local e o programa fazem sentido para ela, sem decidir o esforço que deveria considerar razoável.
Se o contacto envolve viagens entre cidades, o tema dos encontros à distância merece uma conversa mais ampla. Aqui, basta incluíres a chegada e a saída no convite que estás a preparar. Evita confirmar um programa contando antecipadamente que a outra pessoa vá resolver a tua deslocação.
Diz o que podes manter se surgir um imprevisto
Um plano confirmado pode deixar de ser possível. Quando percebes a mudança, diz qual é a parte afetada e o que ainda consegues propor. «Afinal não consigo ir» pode comunicar o cancelamento; se tens uma alternativa real, podes apresentá-la sem presumir que a pessoa continuará disponível.
Imagina que o compromisso de Leonor passa a ocupar a tarde em que o café já estava combinado. Ela consegue sair mais tarde, mas Artur tinha aceite o programa anterior. Leonor pode escrever: «Já não consigo manter o café que combinámos. Consigo ir mais tarde, mas percebo se isso já não te der jeito.»
A alternativa é um novo convite. Não é uma alteração que Artur tenha de acompanhar. Se ele preferir deixar para outra ocasião, Leonor pode aceitar essa decisão sem tentar provar que a diferença seria pequena. O efeito da mudança na agenda dele não precisa de ser igual ao que tem na dela.
Se não sabes o que consegues manter, diz que ainda não tens outra proposta. Pedir desculpa pela alteração não exige marcar imediatamente algo em que também tens dúvidas. Podes assumir que voltas ao assunto quando tiveres uma possibilidade concreta, sem pedir que a outra pessoa guarde entretanto o resto do dia.
A conversa sobre expectativas e limites ajuda a dar valor ao que cada pessoa aceita. Depois de um imprevisto, pergunta pelo plano que agora existe, em vez de continuares a falar como se o primeiro acordo ainda estivesse de pé.
Não peças à outra pessoa que fique de reserva
«Se acabar cedo, digo-te alguma coisa e vemos se dá» pode deixar a pessoa sem saber se está convidada ou se deve manter o tempo livre. Se é apenas uma possibilidade, explica isso. Ela pode fazer os seus planos e depois decidir se ainda quer encontrar-se, caso a ideia volte a surgir.
Se só consegues confirmar perto da ocasião, assume a parte da organização que depende de ti. Podes dizer: «Ainda não consigo confirmar. Não contes com este encontro na tua agenda; volto a perguntar quando souber o que posso propor.» Essa frase precisa de ser acompanhada pela aceitação de que a pessoa talvez já tenha escolhido outra coisa.
Evita transformar a disponibilidade dela numa demonstração de interesse. Estar livre quando finalmente podes não é uma obrigação. Da mesma forma, não concluas que a tua agenda explica tudo o que acontece no contacto. A reflexão sobre interesse mútuo trata dessa questão sem reduzir a relação a um espaço no calendário.
Leonor pode deixar de enviar possibilidades que não verificou e voltar com um convite que consegue manter. Artur pode avaliá-lo sem ficar responsável por lhe lembrar os planos ou por perguntar repetidamente se o encontro ainda vai acontecer.
Se não houver espaço agora, deixa isso claro
Pode acontecer de olhares para a tua agenda e não encontrares uma ocasião que queiras oferecer. Nesse caso, repetir «temos mesmo de combinar» acrescenta pouca informação. Podes dizer que gostarias de voltar a ver a pessoa, mas ainda não tens um plano para propor.
Isso não decide antecipadamente o que ela vai querer. Pode preferir continuar a conversar ou procurar um contacto com outra disponibilidade. Ouve a resposta sem prometer mudar toda a tua rotina para evitar que ela faça essa escolha.
Quando houver uma possibilidade real, a decisão sobre um segundo encontro pode começar por um convite novo. Leonor não precisa de recuperar todas as tardes de que falou. Pode escolher a que agora conhece e perguntar se Artur ainda tem vontade de a partilhar.
Explora o Sugarfar quando fizer sentido para ti. Ao pensares num encontro, escolhe um plano que possas apresentar com clareza: o que te apetece fazer, quando consegues e o que falta combinar. A outra pessoa terá então algo concreto sobre o qual decidir.
Perguntas frequentes
Como marco um encontro quando tenho pouco tempo livre?
Olha para a disponibilidade que realmente tens, incluindo a chegada e a saída. Propõe um programa que consigas manter e explica qualquer limite, para que a outra pessoa possa decidir se também lhe agrada.
É melhor sugerir um dia concreto ou pedir disponibilidade?
Podes começar pelo que já sabes da tua agenda e perguntar se essa possibilidade serve à pessoa. Se só tens uma ocasião disponível, diz qual é em vez de lhe pedir sugestões que já sabes que não podes aceitar.
Como aviso que preciso de alterar o plano?
Diz qual é a parte do acordo que já não consegues manter. Se houver uma alternativa real, apresenta-a como um novo convite, sem presumir que a pessoa pode acompanhar a mudança.
O que faço se só conseguir confirmar muito perto da data?
Explica que o encontro ainda não está confirmado e que a pessoa pode fazer outros planos. Quando souberes o que consegues propor, podes voltar a perguntar se ela ainda tem vontade e disponibilidade.
Uma agenda cheia significa que devo parar de conhecer pessoas?
Podes escolher o que faz sentido para ti sem decidir isso apenas pelo número de espaços livres. Se não tens agora uma proposta que queiras fazer, diz o que sabes e evita deixar alguém à espera de um encontro indefinido.
Redação Sugarfar
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