Encontros em línguas diferentes: confirma o sentido

Num encontro em línguas diferentes, pergunta o que uma expressão quer dizer antes de a tomares como promessa, convite ou recusa. Podem procurar palavras mais claras sem transformar a conversa numa avaliação da forma como cada um fala.
A mensagem parece calorosa e já estás a imaginar o encontro seguinte. No entanto, uma expressão que leste como um compromisso pode ter sido usada apenas para mostrar que a pessoa gostou da conversa. Não queres pedir uma explicação de cada palavra, mas também não te apetece organizar um plano sobre uma certeza que talvez não exista. Podes escolher o ponto que te deixou dúvidas e perguntar pelo seu significado naquela conversa.
Encontra uma língua em que ambos se consigam explicar
A Marta e o Alex são dois adultos que se estão a conhecer em Lisboa. Conseguem conversar em português e em inglês, embora não tenham a mesma facilidade em todos os assuntos. Durante um café, descobrem que explicar uma preferência pessoal pode ser mais difícil do que contar o que fizeram durante o dia.
Não precisam de escolher uma língua para todos os momentos seguintes. Podem perguntar qual lhes permite explicar melhor aquele assunto. Uma pessoa pode preferir escrever uma frase que lhe custa dizer em voz alta. A outra pode pedir que uma palavra seja substituída por uma descrição mais simples.
Essa escolha pertence aos dois. Falar com mais facilidade não torna alguém responsável por ensinar, nem dá à pessoa o direito de decidir sozinha como decorrerá a conversa. O objetivo é conseguirem dizer o que querem e perceber o que ouviram, com espaço para admitir uma dúvida.
Podes começar por algo concreto: «Nesta língua, consigo contar a história, mas custa-me explicar esta parte. Podemos usar palavras mais simples?» Não precisas de pedir desculpa pela tua pronúncia ou de te apresentar como uma pessoa incapaz de conversar. Estás a identificar o ponto em que uma explicação diferente seria útil.
A leitura sobre a conversa no primeiro encontro trata de dar seguimento ao que a outra pessoa conta. Quando a dificuldade está no sentido de uma expressão, esse seguimento pode começar por uma pergunta de esclarecimento.
Pergunta pelo sentido antes de tirar uma conclusão
Depois do café, a Marta escreve: «Temos de repetir isto». O Alex gosta de ler a frase e entende-a como uma confirmação de que voltarão a encontrar-se. A Marta quis dizer que apreciou o encontro e que a ideia de outro lhe agrada, mas ainda não escolheu uma ocasião nem perguntou o que ele gostaria de fazer.
O Alex pode perguntar pela intenção sem discutir se ela usou as palavras certas: «Quando dizes que temos de repetir, queres começar a combinar outro encontro?» A pergunta permite passar de uma expressão calorosa para uma escolha compreensível. Não exige que a Marta prove o entusiasmo que demonstrou.
Ela pode responder: «Sim, gostava de combinar outro café, mas ainda não sei quando». Também pode explicar que estava a expressar uma ideia sem querer marcar nada por agora. São respostas diferentes, e o Alex pode ouvi-las antes de preparar um convite como se já tivesse sido aceite.
Se fores tu a receber uma pergunta destas, não precisas de a tratar como uma crítica à tua maneira de falar. Podes reconhecer a ambiguidade: «Percebo como leste a frase. O que quis dizer foi que gostei do encontro». Depois, acrescenta apenas a vontade que realmente tens.
O mesmo cuidado serve para uma primeira mensagem. Uma formulação simpática pode abrir uma conversa sem explicar todas as expectativas de quem a escreveu. Perguntar por uma intenção é diferente de atribuir uma intenção a partir do tom.
Troca uma expressão ambígua por palavras concretas
Mais tarde, a Marta e o Alex decidem procurar uma ocasião para outro café. Surge a frase «Vemo-nos ao fim do dia». Para uma pessoa, isso pode significar sair do trabalho e ir diretamente ao encontro. Para a outra, pode deixar espaço para tratar primeiro de outros planos. A expressão não diz qual dessas possibilidades ficou escolhida.
Em vez de discutir o significado habitual de «fim do dia», podem combinar a hora e o lugar concretos. Uma pergunta como «Estás a pensar encontrar-me logo depois do trabalho ou mais tarde?» esclarece a diferença antes de escolherem a hora. Depois, ambos podem confirmar a proposta que lhes convém.
Repara na mudança: a explicação não exige uma palavra mais sofisticada. Exige dizer o que vai acontecer. «Gostava de conversar contigo» indica uma vontade. «Quero combinar um café contigo neste local, nesta ocasião» oferece uma proposta que a outra pessoa pode aceitar ou alterar.
Também podes repetir o que percebeste com as tuas palavras: «Então, ainda estamos a escolher a ocasião; o café não ficou marcado». A outra pessoa pode confirmar ou corrigir esse entendimento. Isso não é repetir uma tradução para ver se a decoraste. É tornar visível o plano que cada um leva da conversa.
Se uma palavra continuar a ser difícil, descreve a situação. Não tens de insistir numa expressão que cria a mesma dúvida a cada tentativa. Uma conversa pode manter o seu tom caloroso com frases simples, desde que elas digam aquilo que cada pessoa deseja comunicar.
Confirma convites e limites com especial cuidado
Uma dúvida sobre um programa merece ser esclarecida antes de o tratares como combinado. Uma dúvida sobre um limite merece ainda mais atenção, porque um gesto de simpatia não deve ser usado para preencher a parte que não percebeste. Se não sabes se a pessoa aceitou uma proposta, pergunta.
Imagina que, durante o novo café, o Alex diz: «Prefiro ficar por aqui». A Marta pode entender que ele quer permanecer naquele lugar. Ele pode estar a dizer que quer terminar o encontro, em vez de aceitar o passeio que ela acabou de sugerir. A expressão admite leituras diferentes naquela situação.
Uma pergunta simples separa-as: «Queres dizer que preferes continuar no café ou que queres terminar o encontro?» Se a resposta for que ele quer terminar, a dúvida ficou esclarecida. Não é necessário procurar outra interpretação mais agradável nem usar o tom simpático como um motivo para continuar a propor programas.
Se és tu a comunicar o limite, podes dizê-lo diretamente: «Não quero ir passear. Quero terminar o encontro agora». Não tens de acrescentar uma promessa de outro encontro para tornar a frase aceitável. A leitura sobre expectativas e limites ajuda a distinguir o que aceitas daquilo que ainda não escolheste.
Uma nova formulação pode esclarecer a intenção, mas não cria acordo. Se entendem a proposta e querem coisas diferentes, a diferença já não se resolve com vocabulário. Cada um continua a poder recusar, mesmo depois de o sentido das palavras estar claro.
Deixa a correção linguística fora do centro do encontro
Podes compreender uma frase que tem erros e não compreender uma frase gramaticalmente correta. A necessidade de esclarecer depende do sentido, não da oportunidade de corrigir alguém. Se a história é clara, talvez a resposta mais interessante seja continuar o assunto que a pessoa trouxe.
O Alex pode trocar uma palavra ao contar um episódio engraçado. A Marta percebe o que aconteceu. Interromper para explicar a forma correta pode retirar a atenção da história, sobretudo se ele não pediu ajuda. Ela pode reagir ao episódio e deixar a correção fora daquele momento.
Se a pessoa pedir uma explicação linguística, podes perguntar que tipo de ajuda deseja. Talvez queira apenas uma palavra. Talvez queira saber se a frase expressa a sua intenção. Isso não significa que todas as mensagens seguintes fiquem abertas a correções não pedidas.
Também podes estabelecer a tua preferência: «Se não perceberes o que quero dizer, pergunta-me. Quando a ideia estiver clara, prefiro continuar a conversa». Assim, mostras como gostarias de participar sem exigir que a outra pessoa adivinhe se aprecias uma correção.
Numa primeira chamada antes do encontro, pode ser útil retomar uma frase que passou depressa. Essa chamada seria combinada por um meio externo escolhido pelos dois. O Sugarfar não tem videochamadas nem tradução de mensagens. Se uma mensagem no Sugarfar te deixar dúvidas, pede à pessoa que explique o que quis dizer.
Se recorreres a ajuda externa, relê o sentido da mensagem
Podes escolher ajuda externa para compreender uma palavra, mas essa ajuda não conhece necessariamente a intenção daquela pessoa. Uma formulação possível continua a precisar de ser relacionada com o que estavam a conversar. Não a uses como prova de um compromisso que a própria pessoa ainda não esclareceu.
Evita partilhar conversas privadas ou detalhes pessoais de outra pessoa para resolver uma dúvida de vocabulário. Podes procurar o significado de uma expressão isolada, sem nomes ou informação identificável, ou perguntar diretamente a quem a escreveu. A reflexão sobre privacidade e discrição trata do que escolhes revelar fora desse contacto.
Antes de enviares uma frase preparada com ajuda, lê-a pensando na tua intenção. Continua a ser um convite, ou parece uma confirmação? Expressa uma preferência, ou soa como uma obrigação? Se não consegues explicar a frase com as tuas próprias palavras, podes escolher uma formulação mais simples que reconheças como tua.
Lê sobre o Sugarfar em português. Na conversa da Marta e do Alex, cada esclarecimento serviu uma escolha diferente: perceber a vontade de repetir, marcar o café e reconhecer o fim do encontro. Nenhum deles precisou de falar sem erros para que a vontade de ambos tivesse lugar.
Perguntas frequentes
Como peço que a pessoa explique uma expressão?
Podes indicar a parte que te deixou dúvidas e perguntar o que significa naquela conversa. Por exemplo, pergunta se uma frase calorosa expressa vontade de outro encontro ou se a pessoa já quer começar a combiná-lo. O objetivo é perceber a intenção, não avaliar o vocabulário.
Temos de falar a mesma língua com a mesma facilidade?
Não precisam de ter a mesma facilidade em todos os assuntos. Podem escolher uma língua que permita a ambos explicar o que querem, usar frases mais simples ou escrever uma parte. Essa escolha pode mudar quando aparece um assunto mais difícil, sem dar a uma das pessoas o papel de ensinar a outra.
Devo corrigir os erros da outra pessoa?
Se a ideia está clara, podes continuar o assunto em vez de interromper para corrigir. Se não percebeste, pede uma explicação sobre o sentido. Quando a pessoa pedir ajuda linguística, pergunta que ajuda deseja, sem assumir que todas as mensagens seguintes precisam de correção.
O Sugarfar traduz automaticamente as mensagens?
Não. O Sugarfar não tem tradução de mensagens. Se escolheres ajuda externa para compreender uma expressão, relê o sentido e evita partilhar informação privada. Uma tradução possível não substitui perguntar à pessoa o que quis dizer naquela conversa.
Como confirmo que percebemos um convite da mesma forma?
Diz com as tuas palavras o programa que percebeste e confirma os pormenores que ainda faltam. Uma expressão como fim do dia não escolhe uma hora concreta. Se o sentido ficou claro mas as vontades são diferentes, cada pessoa continua a poder recusar o plano.
Redação Sugarfar
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