Lidar com a rejeição: respeita o não e retoma os teus planos

Para lidar com uma rejeição depois de um encontro, respeita o não que recebeste e evita transformar a resposta numa tentativa de convencer a pessoa. Podes reconhecer a mensagem de forma breve, ou não acrescentar nada, e voltar aos teus planos mesmo que a desilusão ainda esteja presente.
A mensagem começa de forma simpática e termina com uma recusa clara. Gostaste do encontro e já tinhas pensado no que poderiam fazer a seguir. Agora, com a conversa aberta, começas a escrever uma resposta que explica por que razão outro encontro seria diferente. Antes de a enviares, vale a pena distinguir o que desejavas que acontecesse daquilo que a pessoa acabou de dizer.
Lê o que a pessoa disse, sem procurar uma promessa escondida
O André e a Sofia são dois adultos que se encontraram num café em Coimbra. Conversaram sobre cinema, riram-se de uma história que ele contou e despediram-se com simpatia. O André saiu com vontade de a conhecer melhor. Quando lhe propõe outro encontro, a Sofia responde: «Gostei de conversar contigo, mas não quero marcar outro encontro».
O André detém-se na primeira parte. Se ela gostou da conversa, talvez só precise de uma proposta diferente. A frase, porém, contém duas informações que podem coexistir: a Sofia apreciou conversar e não quer repetir o encontro. A simpatia não torna a recusa menos clara.
Podes reler a mensagem para perceber o que foi dito, sem escolher apenas as palavras que alimentam a tua esperança. A pessoa mencionou uma dificuldade prática que deseja resolver contigo ou disse que não quer continuar? Não precisas de inventar uma intenção mais favorável para preencher aquilo que não explicou.
Uma recusa explícita também não apaga a parte agradável do encontro. O André não tem de concluir que todas as gargalhadas foram falsas. Pode ter existido um momento bom sem que a vontade de voltar a encontrar-se seja partilhada.
A leitura sobre interesse mútuo nos encontros ajuda a observar a participação de ambos enquanto o contacto está em aberto. Depois de um não claro, procurar novos sinais nos detalhes antigos pode afastar-te da informação mais direta que acabaste de receber.
Respeita a decisão sem tentar mudá-la
O primeiro rascunho do André começa com «Acho que não me conheceste bem». Depois, escreve que esteve nervoso, que costuma conversar com mais facilidade e que poderiam escolher um lugar diferente. Cada explicação conduz à mesma proposta: a Sofia deveria aceitar outro encontro para corrigir a impressão que teve.
Ele pode reconhecer que gostaria de outra oportunidade sem lhe pedir que justifique a recusa até ceder. A vontade de conhecer melhor alguém precisa da participação dessa pessoa. Não fica mais recíproca porque um dos dois encontra argumentos melhores.
Se te parece que o encontro não mostrou tudo o que és, podes sentir pena disso. Uma conversa breve nunca esgota uma pessoa inteira. Ainda assim, a outra pessoa pode decidir não continuar com base no encontro que teve, sem precisar de assistir a uma demonstração mais completa.
Os nervos antes do primeiro encontro podem fazer parte da tua experiência. Podes aprender algo sobre o programa que preferes ou a forma como gostarias de começar uma conversa. Essa reflexão serve os teus encontros futuros; não precisa de se tornar uma razão para exigir que esta pessoa reconsidere.
O André apaga o convite que estava a acrescentar. Não deixou de querer vê-la. Decidiu apenas não usar a resposta à recusa para tentar obter um sim. É possível respeitar uma decisão antes de deixares de sentir desilusão por ela.
Responde apenas se tiveres algo simples a dizer
Não precisas de encontrar uma frase que te faça parecer indiferente. Se quiseres responder, podes reconhecer o que a pessoa disse sem esconder uma nova pergunta no fim. «Percebo. Agradeço teres sido clara comigo» seria uma resposta possível do André à Sofia.
Uma resposta breve não tem de anunciar amizade nem prometer que ficarás disponível caso a pessoa mude de ideias. Também não precisa de incluir um resumo das tuas qualidades. Pode apenas confirmar que leste a mensagem e que vais respeitá-la.
Se estás a escrever sobretudo para receber outra explicação, repara nisso antes de enviar. Uma pergunta como «Tens mesmo a certeza?» reabre a decisão que a pessoa acabou de comunicar. Uma frase como «Tudo bem, mas vais ver que estás a perder uma boa oportunidade» transforma o reconhecimento numa tentativa de a fazer sentir mal.
Podes igualmente não acrescentar uma resposta. Quando a recusa é clara e não há uma pergunta à espera de resposta, não precisas de continuar a conversa só para construir um final perfeito. Essa escolha não deve ser usada como estratégia para provocar uma reação; pode simplesmente marcar o fim da troca.
O artigo sobre terminar o contacto com respeito trata da posição de quem comunica o fim. Aqui, a tua escolha é o que fazer com o não recebido. Não precisas de escrever a decisão da outra pessoa por ela nem de a transformar num acordo que aprovas.
Não transformes a explicação numa discussão
Talvez a pessoa tenha acrescentado uma razão breve, como sentir que não procura o mesmo tipo de relação. Podes ouvir essa informação sem responder a cada palavra como se fosse uma acusação a refutar. Uma explicação pode ajudar-te a perceber a decisão, mas não abre necessariamente uma negociação.
Se a razão parece incompleta, pergunta-te o que mudaria com mais pormenores. Queres esclarecer algo que foi dito ou encontrar um ponto que consigas contrariar? Essa diferença ajuda-te a reconhecer quando a próxima mensagem procura compreensão e quando procura uma oportunidade de insistir.
A Sofia não apresentou uma lista de razões. O André pensa em perguntar se disse alguma coisa errada no café. Pode ter essa dúvida sem lhe pedir uma avaliação detalhada de toda a conversa. Também pode admitir que não sabe exatamente por que motivo a vontade dela foi diferente da sua.
Não precisas de transformar uma preferência alheia numa descrição definitiva de ti. Ao mesmo tempo, não precisas de desvalorizar a pessoa para suportar o que ouviste. «Ela não sabe o que quer» pode parecer uma resposta fácil, mas atribui-lhe uma confusão que a mensagem não demonstra.
Os limites de cada pessoa continuam a contar quando te desiludem. Podes discordar da imagem que pensas ter transmitido e, ainda assim, deixar de procurar uma conversa em que consigas alterar o resultado.
Afasta-te da releitura constante da conversa
O André envia a resposta breve, fecha a conversa e volta a abri-la pouco depois. Lê as mensagens anteriores, compara o entusiasmo de cada uma e procura o momento em que tudo terá mudado. Nenhuma delas lhe dá uma informação nova sobre o não que recebeu.
Se te reconheces neste movimento, podes notar o que estás a fazer sem te exigir que deixes imediatamente de pensar na pessoa. Fecha a conversa e escolhe uma ação concreta que já tinha lugar no teu dia. Não precisas de transformar esse gesto numa prova de que ultrapassaste a desilusão.
No caso do André, ficou combinado cozinhar com o irmão nessa tarde. Tinha começado a preparar a lista do que faltava, mas deixou-a de lado quando chegou a mensagem. Pode voltar à lista e confirmar o que vão fazer, mesmo que ainda lhe apeteça abrir de novo a conversa com a Sofia.
Se falares com alguém próximo sobre o encontro, podes contar como te sentiste sem enviar as mensagens privadas da outra pessoa. Talvez precises apenas de dizer que estavas com expectativas e recebeste uma recusa. Não é necessário organizar uma análise coletiva de cada frase para ter companhia na desilusão.
Também podes afastar-te do telemóvel enquanto fazes outra coisa. Isso não garante que a vontade de reler desapareça. Dá-te apenas a possibilidade de dedicar algum tempo a uma atividade que não depende de uma nova resposta daquela pessoa.
Volta aos teus planos antes de procurares uma nova confirmação
Receber um não pode dar vontade de procurar logo um sim noutro lugar. Não tens de conhecer outra pessoa imediatamente para demonstrar que o encontro anterior não te afetou. Podes continuar a querer companhia e escolher uma pausa antes de iniciar outra conversa.
O André cozinha com o irmão e acaba por contar o que aconteceu, sem transformar toda a tarde numa explicação sobre a Sofia. Ainda sente pena de não a voltar a ver. A refeição não resolveu essa desilusão, mas também não precisava de o fazer para ser uma parte válida do seu dia.
Quando voltares a ter vontade de conhecer alguém, podes partir dessa vontade, em vez de procurar uma confirmação que desfaça a recusa anterior. A leitura sobre voltar a conhecer pessoas ajuda a pensar no que te apetece agora, sem impor um prazo para recomeçar.
Volta ao Sugarfar quando te apetecer conhecer alguém. Podes guardar a parte boa de um encontro, reconhecer que o desejo de continuar não foi partilhado e deixar que o próximo contacto tenha a sua própria história.
Perguntas frequentes
Como respondo a um não depois de um encontro?
Podes reconhecer a mensagem de forma breve, se quiseres responder. Não precisas de acrescentar um novo convite, prometer amizade ou mostrar indiferença. Também podes não continuar a troca quando a recusa é clara e não há uma pergunta à espera de resposta.
Devo pedir uma explicação mais detalhada?
Antes de perguntar, pensa se procuras compreender o que foi dito ou encontrar um argumento para alterar a decisão. A pessoa pode não querer dar mais pormenores. Uma recusa clara continua a merecer respeito mesmo sem uma explicação completa.
Vale a pena tentar convencer a pessoa a dar outra oportunidade?
Insistir procura mudar uma decisão que a pessoa já comunicou. Podes desejar outra oportunidade e, ainda assim, deixar de a pedir. Aquilo que aprendeste sobre o teu modo de estar num encontro pode servir uma experiência futura, sem transformar este não numa negociação.
O que faço se continuar a reler a conversa?
Podes fechar a conversa e retomar uma tarefa ou um plano que já fazia parte do teu dia. Não precisas de deixar imediatamente de sentir desilusão. Se falares com alguém próximo, podes contar como te sentiste sem partilhar as mensagens privadas da outra pessoa.
Tenho de procurar logo outra pessoa para seguir em frente?
Não. Podes escolher uma pausa e voltar a conhecer pessoas quando te apetecer fazê-lo. Um novo contacto não precisa de servir para contrariar a recusa anterior, e não há um prazo que te obrigue a procurar outra confirmação.
Redação Sugarfar
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