Interesse mútuo: quando a iniciativa vem só de ti

Para perceberes se o interesse é mútuo, olha para a participação de ambos: quem traz assuntos, faz perguntas e ajuda a decidir o próximo encontro. Uma resposta simpática pode agradar-te sem esclarecer se a outra pessoa quer ter a iniciativa.
A conversa deixa-te uma sensação boa enquanto estás a escrever. A pessoa responde com simpatia, elogia uma história e diz que seria agradável voltarem a encontrar-se. Quando fechas a conversa, porém, reparas que foste tu a escolher todos os assuntos e a sugerir todos os planos. Não queres desvalorizar a maneira como te responde, mas também não te apetece ficar responsável por todas as escolhas e por todos os assuntos. Podes olhar para esse desequilíbrio sem transformares cada mensagem numa prova de interesse ou desinteresse.
Olha para o conjunto da conversa
Imagina a Rita e o Gonçalo, duas pessoas adultas que se estão a conhecer no Porto. A Rita conta que viu uma exposição de fotografia e ficou a pensar numa imagem. O Gonçalo responde: «Que giro, deve ter sido interessante!» Ela pergunta-lhe o que lhe tem despertado curiosidade. Ele fala de um disco que começou a ouvir, e a Rita faz outra pergunta para continuar esse assunto.
Mais tarde, a Rita sugere um café. O Gonçalo escreve: «Gostava muito!» A ideia fica por concretizar até ela voltar a perguntar onde e quando lhes convém. Ele aceita a proposta que ela apresenta, mas não acrescenta uma escolha própria. Encontram-se, a conversa é agradável e, depois do café, a Rita volta a ser quem lança um assunto novo.
Nenhuma destas respostas, isoladamente, permite saber tudo o que o Gonçalo sente. Pode apreciar a conversa, preferir seguir os assuntos que a Rita traz ou ainda não ter pensado no que quer propor. A Rita não precisa de escolher uma dessas explicações como verdade. Consegue observar uma coisa mais limitada: até agora, a continuação depende sobretudo dela.
Essa observação é diferente de descrever a pessoa como fria ou pouco sincera. Os elogios podem ser sinceros. A questão da Rita é se a forma como o contacto está a acontecer lhe agrada e se há espaço para ambos participarem mais ativamente.
Repara se a pessoa também toma a iniciativa
Iniciativa não é apenas começar uma conversa nova. Pode ser voltar a um assunto que contaste, fazer uma pergunta cuja resposta ainda não conhece ou sugerir uma alternativa para um encontro. O importante é reconhecer uma contribuição, sem exigir que tenha exatamente a mesma forma que a tua.
Se o Gonçalo retomasse a fotografia de que a Rita falou e perguntasse o que a fez ficar a pensar nela, estaria a acrescentar algo. Não precisaria de enviar um texto tão longo como o dela. Se não pudesse ir ao café e propusesse outro programa que também lhe interessasse, essa escolha ofereceria uma nova possibilidade aos dois.
No percurso descrito, essas iniciativas ainda não apareceram. A Rita pode sentir falta delas sem começar a somar perguntas ou a comparar o tamanho das mensagens. A diferença que quer esclarecer é se a outra pessoa também deseja contribuir para a conversa e para o plano.
Convém separar esse desejo dos acontecimentos digitais. No Sugarfar, um SuperLike custa SugarCoins, cria um match de imediato e não pode ser anulado. O match criado por essa ação não substitui uma conversa sobre a vontade de ambos. A leitura sobre o SugarSwipe explica essa escolha; aqui, o que procuras perceber é a participação que existe depois.
Um presente também não obriga quem o recebe a responder, a aceitar um encontro, a ter intimidade ou a dar acesso a um álbum. Podes apreciar o gesto sem concluíres que a pessoa quer continuar o contacto. O texto sobre presentes e SugarCoins trata dessa diferença entre um gesto escolhido e uma obrigação atribuída a quem o recebe.
Não uses o tempo de resposta como única medida
Uma resposta rápida pode ser breve e simpática sem fazer avançar o assunto. Uma resposta que chega mais tarde pode conter uma pergunta atenta ou uma proposta concreta. Olhar apenas para o intervalo entre mensagens deixa de fora aquilo que foi realmente dito.
Isso não significa inventares uma razão para cada demora. Não sabes o que a pessoa esteve a fazer se ela não te contou. Podes reconhecer que desconheces essa parte e ler o conteúdo que recebeste, sem decidir que a rapidez prova entusiasmo ou que uma espera revela necessariamente desinteresse.
No caso da Rita, a dúvida não precisa de ser «Porque não respondeu mais cedo?». Ela pode perguntar-se: «Quando responde, também traz alguma coisa para a conversa?» Essa pergunta devolve a atenção ao que consegue observar. Não exige saber como o Gonçalo passou o dia nem acompanhar a atividade dele.
Se existe uma dificuldade de agenda que a pessoa explicou, distingue-a da questão da iniciativa. Alguém pode não conseguir marcar um encontro e ainda assim dizer o que quer fazer quando souber mais. A reflexão sobre encontros com a agenda cheia pertence a essa organização. Não precisas de a usar como uma explicação automática para um contacto em que só tu propões tudo.
Também podes descobrir que gostas de uma forma de comunicar mais frequente. Essa é uma preferência tua, que podes expressar. Não precisa de se transformar numa regra segundo a qual qualquer pessoa interessada teria de responder ao teu ritmo.
Faz uma proposta a que a pessoa possa responder
Se tens vontade de continuar, podes tornar o próximo passo suficientemente concreto para que a outra pessoa escolha. Uma frase como «Temos de combinar alguma coisa» deixa quase toda a organização por fazer. Um convite que diga o programa desejado permite ouvir um sim, um não ou uma alternativa.
A Rita pode escrever:
«Gostei de estar contigo e apetece-me voltar a tomar um café. Desta vez, gostava que sugerisses um lugar e uma ocasião que te agradem. Tens vontade de combinar assim?»
A mensagem não pede uma demonstração grandiosa. Explica uma vontade e convida o Gonçalo a participar na escolha. Se a Rita quer que ele tome essa iniciativa, pode dizê-lo em vez de esconder o pedido num silêncio e esperar que ele perceba o teste.
O Gonçalo pode responder com uma proposta. Também pode dizer que ainda não sabe se quer outro encontro. Uma resposta como «Sim, escolhe tu» não faz a escolha que a Rita pediu, embora possa ser afetuosa. Ela pode esclarecer: «Desta vez, preferia receber uma ideia tua. Não preciso que seja um programa especial».
Usa uma formulação que corresponda ao que desejas. Se já não queres continuar, não prepares um convite para verificar se a pessoa o aceita. Se queres apenas saber como imagina a continuidade, podes perguntar isso diretamente. O texto sobre o segundo encontro desenvolve a proposta quando já existe vontade de se voltarem a ver.
Deixa espaço para o próximo passo vir do outro lado
Depois de pedires uma escolha, permite que ela continue a pertencer à outra pessoa. Se preencheres imediatamente o espaço com sugestões, podes voltar à mesma organização que querias mudar. A Rita não precisa de enviar uma lista de cafés para facilitar a iniciativa que acabou de pedir.
Também não precisa de suspender os seus próprios planos. O pedido não cria um encontro confirmado nem uma reserva de disponibilidade. Pode seguir com a sua vida sem vigiar a conversa à procura de uma resposta que confirme o valor do que escreveu.
Se o Gonçalo apresentar uma ideia, a Rita poderá avaliar essa proposta real. Não tem de a aceitar por ter sido ele a fazê-la. Se o lugar não lhe agradar, pode dizer porquê e participar na escolha. Interesse mútuo não exige concordar com qualquer programa; permite que as preferências dos dois tenham lugar.
Se não surgir uma proposta, ela continua sem o próximo passo que pediu. Não precisa de transformar essa ausência numa explicação definitiva sobre os sentimentos dele. Pode simplesmente reconhecer que a forma de contacto que gostaria de ter ainda não aconteceu e decidir quanto deseja continuar a investir nela.
Uma mensagem direta pode evitar deixar a mesma expectativa em aberto: «Gosto de conversar contigo, mas não quero continuar a organizar todos os encontros. Por agora, vou deixar esta ideia de lado». Mantém essa frase apenas se for a tua decisão, sem a usares para provocar uma resposta mais intensa.
Decide o que te faz bem sem transformar o contacto num teste
Não precisas de demonstrar que a outra pessoa tem pouco interesse para escolher um contacto diferente. Podes gostar de alguém e perceber que não te agrada ter sempre de trazer o próximo assunto. A decisão pode partir dessa experiência, sem um veredito sobre o carácter da pessoa.
Se receberes um não claro, não o transformes numa nova tarefa de persuasão. A reflexão sobre lidar com a rejeição tem espaço para esse momento. Uma resposta negativa pode ser desagradável e, ainda assim, oferecer mais clareza do que continuar a preparar convites que não queres fazer.
Se houver vontade dos dois de mudar a forma como conversam, podem experimentar algo concreto: a outra pessoa retomar um assunto, trazer uma ideia ou dizer quando não deseja um plano. Não é necessário criar um quadro de tarefas nem uma pontuação para cada gesto. Repara se a conversa passa a incluir a participação de que sentias falta.
Conhece o Sugarfar e decide como queres começar. No contacto da Rita, o próximo passo deixou de ser encontrar uma pergunta melhor para manter tudo a andar. Passou a ser pedir uma escolha ao Gonçalo e ouvir o que ele realmente quer fazer com ela.
Perguntas frequentes
Como percebo se o interesse é mútuo?
Olha para a participação ao longo do contacto: perguntas, assuntos retomados e escolhas para os encontros. Uma resposta calorosa pode ser sincera sem trazer uma iniciativa própria. Podes dizer que gostavas de receber uma proposta da outra pessoa e decidir a partir da resposta, sem transformar o contacto numa pontuação.
Uma resposta demorada significa falta de interesse?
O intervalo, por si só, não esclarece o que a pessoa sente. Uma resposta tardia pode trazer uma pergunta ou uma proposta, e uma resposta rápida pode não fazer avançar a conversa. Lê o conteúdo e expressa a tua preferência de comunicação sem inventar razões para cada demora.
E se for sempre eu a sugerir os encontros?
Podes pedir uma proposta concreta da outra pessoa e explicar que gostavas de partilhar a iniciativa. Depois, evita preencher imediatamente esse espaço com novas sugestões tuas. Se não surgir a participação que desejas, podes decidir não continuar nesse formato, sem teres de provar falta de interesse.
Um SuperLike prova que já existe interesse dos dois lados?
Um SuperLike custa SugarCoins, cria um match de imediato e não pode ser anulado. Esse acontecimento não substitui conhecer a vontade da outra pessoa. Observa como participam na conversa e nas escolhas, sem tratar o match como uma confirmação de sentimentos dos dois lados.
Um presente é suficiente para mostrar que a pessoa quer continuar?
Podes apreciar um presente sem concluir que ele esclarece a continuidade do contacto. Um presente não obriga quem o recebe a responder, a aceitar um encontro, a ter intimidade ou a dar acesso a um álbum. A vontade de continuar pode ser conversada e observada nas escolhas de ambos, sem usar o gesto como obrigação.
Redação Sugarfar
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